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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Nota dos estudantes do PPGE

 Segue abaixo nota dos estudantes do PPGE sobre a greve nas IFES
"Após reuniões realizadas pelos alunos da pós-graduação em Educação da UFSC foi construída por este coletivo uma carta de apoio à greve dos docentes e dos servidores técnico-administrativos, na qual também solicitávamos esclarecimentos e posicionamento dos professores do programa sobre a greve. abaixo segue a mesma, na íntegra.

Aos professores, técnico-administrativos e Colegiado do PPGE-UFSC

Nós, estudantes da Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina, após discutirmos a situação da greve nacional nas Universidades Federais, em reuniões realizadas nos dias 20 e 27 de junho do corrente ano, compreendemos ser importante nosso apoio e inserção nesta mobilização nacional.
Nesse sentido, escrevemos esta carta aos professores, técnico-administrativos e ao Colegiado do PPGE/UFSC com a intenção de expormos nossos questionamentos, bem como, solicitar esclarecimentos sobre os encaminhamentos que estão sendo realizados por este corpo docente e pelos servidores técnico-administrativos.
Há mais de um mês os professores das Universidades Federais deflagraram greve. Atualmente, 56 das 59 instituições de ensino superior aderiram ao movimento. Estão em greve também os professores de 37 Institutos e Centros Federais de Educação. Dia 11 de junho os servidores técnico-administrativos pararam suas atividades. Desta forma, temos um forte movimento de greve dos docentes e técnico-administrativos em nível nacional. Há ainda greve de estudantes em várias instituições federais, inclusive de pós-graduação. Sentimos que este é o momento de nos juntarmos aos estudantes de várias instituições federais espalhadas pelo país para juntos, em greve, fortalecermos a luta em prol de mudanças substantivas no quadro da educação superior brasileira. Dentre do exposto, verificamos que a conjuntura nacional de mobilização aponta para um momento ímpar de unificação de forças em defesa da Universidade Pública.
Na UFSC, os professores vinculados à seção sindical do ANDES-SN decretaram greve no dia 22 de junho e os servidores técnico-administrativos também se colocaram em greve no mesmo mês. No entanto, visualizamos pouca adesão a ela, em particular, entre os professores do PPGE, os quais historicamente se inseriam nas lutas pela defesa da educação pública. Muitos alegam a necessidade da finalização do semestre para então fazer parte do movimento, entretanto, nos questionamos quanto às conquistas que alcançaremos através de uma greve realizada no período do recesso escolar.
Neste período histórico, vivemos um aprofundamento de políticas privatistas, expressas nas condições materiais existentes nas Universidades hoje, tais como: congelamento e o rebaixamento dos salários dos professores e técnicos, insuficientes e limitados planos de carreira, sobrecarga de trabalho (devido, sobretudo à realização de poucos concursos públicos para contratação de professores e técnicos e às exigências de
produtividade das agências de fomento à pesquisa); falta de professores e técnico-administrativos (supostamente “solucionada” com o fornecimento de bolsas de trabalho de valor constrangedor aos alunos de graduação e bolsas REUNI aos estudantes de pós-graduação); estímulo ao aumento da competitividade na produção de ciência e tecnologia (privilegiando a quantidade em detrimento da qualidade, já entre os próprios estudantes de graduação); adoecimento e agravamento das condições de saúde de toda a comunidade acadêmica; cobrança de diversas taxas; sucateamento da estrutura física; ranqueamento das universidades; sistema de avaliação da CAPES sobre os Programas de Pós-Graduação (privilegiando os mais “quantitativos” e, portanto, “adaptados” à lógica mercantil de produtividade); financiamentos vinculados a todo tipo de desempenho (ex.: a política do REUNI); estímulo ao desenvolvimento das fundações de apoio privado à pesquisa e de certa “autonomia financeira” dos Centros de Ensino (que contam com orçamentos vergonhosos e discrepantes para a realização de suas atividades, determinados, sobretudo pela lógica de contribuição à economia capitalista); existência de uma política governamental de incentivo ao aumento de pós-graduandos formados sem, contudo, oferecer condições adequadas para tal formação ampliada; inexistência de apoio adequado à participação dos estudantes de graduação e pós-graduação em eventos de sua área; restrito número de bolsas de pesquisa na graduação e pós-graduação e de valores extremamente deficitários; entre outros aspectos.
Embora os últimos governos tenham ampliado o número de vagas nas Universidades Públicas, via REUNI, os aspectos acima elencados evidenciam que eles não se preocuparam e não se preocupam em fornecer condições materiais adequadas para a concretização de uma Universidade Pública de Qualidade. Este quadro de abandono ainda explicita que a universalização da Universidade Pública não consta no projeto estatal e governamental, e mostra, de fato, a opção das autoridades políticas pelo estímulo à privatização/mercantilização do Ensino Superior. A terceirização de vários setores dos serviços das Universidades e o Plano Nacional de Pós-Graduação 2011-2020 também coadunam com a lógica privatista imposta às Universidades Públicas brasileiras. Diante do quadro de precariedade das Universidades Públicas apontado e, por outro lado, da conjuntura favorável de luta pela mudança do mesmo gostaríamos de abrir o diálogo com os professores e técnicos do PPGE, no sentido de apoiar os que já aderiram à greve e cobrar do Colegiado do Programa posicionamentos frente ao movimento de greve. A adesão a esta importante luta, de dimensões há muito não vistas,
coloca-nos a necessidade de pensar o modo como ela será efetivada em nível local. Desta maneira, também exigimos um posicionamento dos mesmos sobre o fechamento deste semestre, o início do próximo e a realização ou não das matrículas de todos os estudantes. Nesse sentido, solicitamos:
1) Posicionamento do Colegiado do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFSC sobre a greve; 2) Caso a greve se estenda até o início de agosto, não iniciarmos as aulas do segundo semestre letivo; 3) Participação nas mobilizações do movimento grevista da UFSC e nacional, e a proposição de atividades coletivas de greve; 4) Esclarecimentos sobre a realização das eleições para a coordenação do PPGE no período de greve; 5) Participação na reunião geral da comunidade do CED, chamada pelos técnico-administrativos, que acontecerá dia 9 de julho de 2012, às 14 horas no auditório do CED.

Florianópolis, 02 de julho de 2012.
Saudações Estudantis,
Estudantes do PPGE."

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